05/03/2011

O que devo dizer, para início de conversa e ponto de partida dessa discussão, é que eu me apaixonei. Realmente. Tentei fingir que não – mesmo – mas não adianta muito. Se tem uma coisa que não funciona comigo é mentir para mim mesma. Porque já percebi, posso negar, mas não posso deixar de sentir.

Mas o que eu sei também é que paixão não é amor. Querer estar ao lado dele, não é amor. Se derreter diante de um sorriso, não é amor. Eu não sei amar ainda. A gente nasce predisposto a se apaixonar, isso eu aprendi esses dias. Mas não nascemos sabendo amar ninguém.

Eu não acho que eu seja capaz de amar alguém. Não sei se serei capaz de sê-lo algum dia. Aliás, sei muito pouco sobre mim mesma. Estou fazendo esforço para descobrir, sim, mas ainda sei pouco. Sei, por exemplo, que sou muito egocentrada. Às vezes, esqueço ou não percebo que não é sobre mim. Muitas vezes, porque não percebo mesmo, porque estou frequentemente alheia viajando em pensamentos, no passado, no futuro, no imaginário possível e impossível… E de tanto prestar atenção no meu mundo interno eu acabo meio alheia ao mundo exterior. Eu já percebi isso. Tenho vagas idéias de planos para tentar melhorar essa situação. Mas, por enquanto, a situação é essa. Esse é um dos motivos pelos quais acho que não sou capaz.

Outro motivo é minha constante crise existencial. É essa minha contínua sensação de que sou inadequada e, por isso, imiscigenável. Fico pensando na minha família estranha, na minha casa muito estranha, no meu corpo que acho bem estranho,  na minha forma estranha de pensar sobre as coisas e o mundo. Como poderia trazer alguém para dentro de tudo isso? Não consigo imaginar. E assim, para evitar a decepção de ser rejeitada, eu rejeito primeiro. Não quero que ninguém se aproxime. Parece mais fácil, mas não sei dizer qual das dores dói mais: a de rejeitar e se sentir coibida ou a de ser rejeitada e se sentir… rejeitada.

Não estou escrevendo para encontrar uma saída; apenas porque estava procurando uma maneira de enrar em contato comigo mesma de alguma forma, e manter tudo só no pensamento me causa mais um congestionamento interno do que alguma sensação de conexão. Então resolvi representar este meu diálogo interno, e escolhi escrever para me expressar. Se eu soubesse representar tudo isso artisticamente, acho que seria melhor, mas não me sinto capaz por hora. Agora, o que preciso fazer, não sei. Por enquanto resolvi que vou tentar aprender a caminhar meditando, tentar procurar alguma forma de estar mais focada nas coisas e pessoas do mundo ao meu redor, e quem sabe isso não me faça perceber que não é tudo sobre mim, que os olhos externos não são nem pela metade tão atentos às minhas falhas do que os meus próprios olhos, e também nem metade tão cruéis. Só isso. Não acho que deva fazer qualquer outro movimento além deste, por enquanto.

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